quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A breviedade da tarde.

O ar estava seco e imóvel na ensolarada tarde de agosto, o sol estava a cima de nós, eu não tinha sombra mas o grande pé de manga tinha uma lagoa a sua volta. Caminhamos pelo som de pedras e areia, sempre pisando e nunca arrastando. Uma bolha de sabão voou por entre nós dois, outra e mais algumas a seguiram. Me virei e notei que minha mão deslisava comprimindo sua camisa de algodão branca, escalava logo acima de sua cintura sem nunca tentar guiar ou com qualquer outro intuito que não seja o simples tocar. A mão queria ser tocada, pensei equivocadamente, sobre algo que não tem pensamento. Uma criança atrás de nós continuava a fabricar bolhas incessantemente e por masi que elas estourassem o ar não era mais o mesmo, estava limpo agora. As folhas acima de nós começaram a a se mover rapidamente com o se uma mão as tocasse, bolhas passavam mais rápido e a camisa da criança, azul turquesa começava a se assemelhar a uma bandeira. Sorrimos com a mudança chegando e olhamos para cima pela primeira vez, chovia folhas. Um oceano de nuvens de aproximava, sempre me impressionou imaginar que um rio passa sobre nossa tarde e segue para aonde o vento o empurre. Toquei no tronco da árvore, a criança o abraçou, ela nos olhou. O filho não era nosso, apenas estava lá, assim como nós e a árvore.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Picabia


Edtaonisl - 1913

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

Noite - chove

Não sinto uma gota sequer.
Fumaça que dança, me convida
olho,
na esperança
de um dia me levantar.

Como é egoista o poeta de
cabeceira.

Sinto falta de
ter um
propósito
maior.

Tenho
o teatro,
ou
ele me
tem?

Não tenho nada
nem voz;

quem me dera
ser
assim

como

escrevo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

OLHA SÓ!

O mendigo nasce adulto



.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Parte, só isto.

Ler o jornal é uma parte.
Uma ação realizada no espaço tempo.
E
se for só essa?
Só esta que te resta?

Só


está.

Tenha uma leitura proveitosa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Homem Livre

No escuro
ele respira.

Nenhum som
nenhuma luz
nenhuma idéia
nenhum toque
nem ao menos o gosto
penetra

aquele escuro.

Sem noção de corpo,
sem noção de toque
sem noção de memória,
ele vive.

Inspiração
silenciosa
expiração.

Olhos
ouvidos
mãos
sexo
virgens.

Ainda assim
tudo enxerga
tudo escuta
tudo toca.

É um tocar a
si mesmo,
onde
som toca
e
pele escuta
aquele escuro.

Não há outros
por perto
não há
ele
por dentro
e não existem
horas.

Essa é sua vida.