Em pé dava para ver o chão de mármore puído, amarelo e bege com suas ranhuras brancas seus vários retangulos, parecem uma parede, uma casa que um dia foi rica, pensou Ricardo. Usava um tênis All Star Branco, uma camisa roxa com 8 listras pretas, todas gastas e na horizontal e uma calça jeans. Por que 8?
Estava em pé, e olhava para uma piscina vazia. Verde, com água verde.
Maria Helena sorria ao seu lado.
Esta rindo do que? Perguntou Ricardo, Não sei. ela respondeu. Ricardo abriu os braços e os elevou a altura dos ombros. É do meu tamanho? ele pensou, não acreditou e continou a elevar os braços.
Vai me dizer que você realmente vai mergulhar? Maria Helena perguntou. Ele olhou como ela sorria com seus cabelos e sua boca, olhos que brilhavam olhando para ele.
As mãos de Ricardo encontraram-se acima de sua cabeça, palma com palma. Depois os pés foram colados um no outro, dedão com dedão, flexionou os joelhos até onde pode. Parece uma postura de yoga, pensou Maria Helena, o que ele tá fazendo?
Ricardo Alemeida olhou para cima, lá estava toda água. Maria helena olhava a piscina vazia. E se for toda a água do Oceano? Ricardo filosofou pela escolástica do Lsd, mas não deve ser. Vou mergulhar sem pular, ele falou. Maria Helena não sorriu, o céu ficou cinza, ela não sabia aonde estavam. Não havia nada de familiar. Cercados por muros manchados, preto resto de chuva, provavelmente choveu aqui, ela pensou. Ricardo apontou a água, lá no alto, no fundo. Maria Helena sentiu medo. A água começou a descer. Ricardo estava, todo ereto, esperava com as palmas das mãos unidas. Queria alcançar a finesse da agulha que penetra uma pele.
Um cão late,
escuridão total,
muitos latidos ao lado de sua cabeça,
Porra. pensou, Ricardo.
A borda é da sua cama,
está invertido
BAM! BAM! BAM!
alguém bate na porta.
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
17 e cinco ou 17 e 17
A essa hora a cidade começa a ficar mais silenciosa. Operários vão para casa as cinco horas, empregadas e garçons, já empilharam todos os pratos e crinças chegam em casa.
É hora de ir para casa. É a hora também dos pensamentos mais trabalhosos irem para casa. Seja para trabalhar mais, seja para descansarem com suas famílias, jantarem algo evaporante pois amanhã é dia de trabalho.
Uma nuvem cinza escuro, pesada e grande se vem vindo. O que faço? Ainda bem que minha cama está ao meu lado. Fecho as janelas ou espero?
Ainda estou esperando.
É hora de ir para casa. É a hora também dos pensamentos mais trabalhosos irem para casa. Seja para trabalhar mais, seja para descansarem com suas famílias, jantarem algo evaporante pois amanhã é dia de trabalho.
Uma nuvem cinza escuro, pesada e grande se vem vindo. O que faço? Ainda bem que minha cama está ao meu lado. Fecho as janelas ou espero?
Ainda estou esperando.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A breviedade da tarde.
O ar estava seco e imóvel na ensolarada tarde de agosto, o sol estava a cima de nós, eu não tinha sombra mas o grande pé de manga tinha uma lagoa a sua volta. Caminhamos pelo som de pedras e areia, sempre pisando e nunca arrastando. Uma bolha de sabão voou por entre nós dois, outra e mais algumas a seguiram. Me virei e notei que minha mão deslisava comprimindo sua camisa de algodão branca, escalava logo acima de sua cintura sem nunca tentar guiar ou com qualquer outro intuito que não seja o simples tocar. A mão queria ser tocada, pensei equivocadamente, sobre algo que não tem pensamento. Uma criança atrás de nós continuava a fabricar bolhas incessantemente e por masi que elas estourassem o ar não era mais o mesmo, estava limpo agora. As folhas acima de nós começaram a a se mover rapidamente com o se uma mão as tocasse, bolhas passavam mais rápido e a camisa da criança, azul turquesa começava a se assemelhar a uma bandeira. Sorrimos com a mudança chegando e olhamos para cima pela primeira vez, chovia folhas. Um oceano de nuvens de aproximava, sempre me impressionou imaginar que um rio passa sobre nossa tarde e segue para aonde o vento o empurre. Toquei no tronco da árvore, a criança o abraçou, ela nos olhou. O filho não era nosso, apenas estava lá, assim como nós e a árvore.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Parte, só isto.
Ler o jornal é uma parte.
Uma ação realizada no espaço tempo.
E
se for só essa?
Só esta que te resta?
Só
está.
Tenha uma leitura proveitosa.
Uma ação realizada no espaço tempo.
E
se for só essa?
Só esta que te resta?
Só
está.
Tenha uma leitura proveitosa.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
ÚLTIMO DIA DE 2008
TODO MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO FORA DO ALCANÇE DE CRIANÇAS.
SIGA CORRETAMENTE O MODO DE USAR.
NÃO DESAPARECENDO OS SINTOMAS, PROCURE ORIENTAÇÃO MÉDICA.
mais um ano
ele
chegou
esqueça a si mesmo
e
o
AME.
SIGA CORRETAMENTE O MODO DE USAR.
NÃO DESAPARECENDO OS SINTOMAS, PROCURE ORIENTAÇÃO MÉDICA.
mais um ano
ele
chegou
esqueça a si mesmo
e
o
AME.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
22hrs
Joaquim era filho de uma índia, chamada Marta. Estava com sede quando decidiu pegar sua faca suja de sangue, não era seu e não era de sua ex-amada e agora odiada pretendente a qualquer porcaria de companherismo. Irritado se levantou do sofá antes que Marta acordasse, sabia que ela ia ficar puta com a sujeira espalhada pelo tapete. Joaquim estava a quatro idas ao banheiro de terminar a garrafa de whiskey, Jack era sua verdadeira paixão. Decidiu não se livrar do corpo, mas sim apoiar os pés em cima de seu dorso para uma última utilidade imediata do contato. Sentiu a temperatura baixar enquanto sua cabeça esquentava, levantou e ligou para um amigo, que sabendo como Joaquim estava decidiu se juntar a ele, inveja pura. O amigo entrou em silêncio enquanto Marta roncava, riu segurando seu copo vazio. Joaquim completou o copo do amigo em troca de cumplicidade. O amigo também decidiu apoiar os pés. Tirou os sapatos sem perguntar, não perguntava mais nada na vida fazia anos. Os pêlos longos eram gostosos de entrelaçar entre os dedões do pé esquerdo. Não era mais o mesmo mas ainda havia alguma graça no ar. Parecia que haviam voltado aos tempos da escola onde corriam pela rua a procura de alguma coisa para quebrar. Só nos livros crianças procuram alguma coisa com curiosidade apenas. Não conversavam quando Marta acordou. Caminhou até a cozinha notando que o chão estava diferente, parecia que a sujeira era menos amiga naquela hora, enquanto se acostumava com as formas novas do antigo apartamento decidiu não gritar ainda pois estava sem um copo na mão. Onde estava a porra do copo? Gritar sem um copo na mão é coisa que só os desesperados fazem. Marta não era desesperada, muitos anos se passaram desde que só vivia. Caminhou até a sala e percebeu que Max não respirava, sentou-se ao lado do amigo que a aliciava quando Joaquim não estava e perguntou - Fui eu?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Hoje
Destruído escrevo mais um dia. Hoje é segunda e como outra qualquer eu só quero que chegue terça ou o próximo nome. Preciso descansar mas o tempo passa devagar e devagar chega o sono e eu sem paciência de esperar levanto antes dele se sentar. Jogo de rima é mediocre. Chato pra caralho essa posição de esperar pelo sono. Se desse eu dormiria em um shot de whiskey. Choveu hoje e a cidade raspou toda sua craca, eu tava na rua no momento, em que uma cachoeira nasceu em pleno jardim botânico, foi lindo ver as mulheres desesperadas sem saber engatar a primeira do 1.0 diante de uma ladeira do tamanho de escorrega de crianças. Olhar tudo borrado pela água que desce pelo vidro do carro enquanto o limpador está desligado chega a ser poético enquanto não me critico de piegas, viadinho e pretendente a artista. Um lado meu fica satisfeito com minha destruição mental do meu eu enquanto outro se encarrega com a parte mais prática da coisa, este é quem assume a partir do pôr do sol. Não sei mais definir direito o que chamam de culpa, parece que culpa é o que eu chamo de batalha mental. Não sou batizado então não me interesso entrar no assunto da culpa católica, esta eu chamo de culpa dos anúncios, das revistas com páginas impressas em material de fotografia e filmes em geral. Filmes em geral me deixam de saco cheio total, outro dia assisti "Z" do Costa Gravas e gostei muito, depois entrei no site da Z communications e parti para escrever qualquer asneira contra o chamado sistema. Acho melhor batizarmos o "sistema" de algum outro nome, algo como "nós" me parece mais pessoal e mais real. No geral continuo teclando como se alguém fosse ler o que está escrito assim como quem lê poesia em algum bar acredita, a partir da segunda estrofe, que estão prestando atenção, logo que chega ao final além de tomar conhecimento de todas as possíveis mudanças que passaram desapercebidas e que agora se tornaram óbvias, para o autor e para os que ali não estão pensando nos seus próprios escritos, ele sente o ar de sua mediocridade e sorri aguardando um olhar caridoso de atenção. Estou de mal humor mas com esperança, vou para um bar. Um bar sempre deixa satisfeito meu lado prático da vida, minha constante caminhada para o fim. Seja ele da maneira que vier, eu sempre ando em sua direção, alguns dias corro, outros engatinho, mas o movimento é constante.
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