Mostrando postagens com marcador Urro noturno.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Urro noturno.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Encontro


Hubble picture

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O DIA É A NOITE

No Rio há praia,
sem praia não há hora,
sem hora não há
ansiedade
e sem ansiedade
só
há
liberdade.

O Rio é movimento,
mas um movimento
do mar,

que liberta a libido
e sem
perceber nos castramos
mutuamente na jogada,
no corpo que
rumina

e rumina

e rumina
para no final
só se ter
um pôr
do
sol,

cerveja
gelada
e um
baesado,

é realmente
um pesadelo,
eu não aconselho.
(não aconselho nada para ninguém,
nem pros que me pedem dinheiro para crack)






e nada mais me interessa
a não ser

não ter

a

hora.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Amanhã de manhã

Não quero saber do que me falam, quero saber da onde me falam. Como chegaram até ali. É só isso. Não é fácil ter que construir a vida interia do indivíduo até o momento que o levou a construir aquele tipo de frase, "- Otimista você, não quero sundae de ovomaltine." Naquele determinado dia se torna uma tarefa muito cansativa, e só existe aquele momento para a construção, depois não adianta. É influenciado pela memória. E como chegar ao ponto em que o determinado pensador chegou àquele "a craseado". Engraçado, aquela proposição sobre a virada do tempo na consciência humana. Ela é só uma montagem nossa, não existe duração. Só temos o instante, o resto são só conceitos somados a fenômenos coincididos pelo nosso rolar ladeira abaixo da vida. E por que não ladeira acima? Porque enterrar é no chão que se faz e morte ficou sendo para baixo. Quem morre não está mais em pé. Devo escutar não o que me dizem sobre o falar mas sim o que se pensava aquele que falava, é isso que preciso me lembrar e estava esquecendo. Por que falo como um doutrinador? Só assim me respondo. Quantas coisas não quis mais fazer e fiz só por não me escutar? Quantos gritos diferentes existem em minha cabeça? São milhares de eus e todos com o mesmo nome errado, todos com as mesmas dúvidas esquecidas e repetidas, como agora, estou me repetindo. Por isso paro. Olho ao lado. Alguém me espera, sem perguntar nada. Começo a construir.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Livros e Guerras

Ao pisar na praia o sujeito me deu seu livrinho, era pequeno e azul, bem cafona e leve. Joguei-o dentro da mochila sentindo um aumento do vento em meu rosto, amanhã vai chover, sentei na areia. Peguei o livro e olhei para ele, não com afinidade mas com desconfiança, curioso em perceber o por quê de tamanha força. Abri, uma página qualquer e percebi que uma história estava sendo contada, uma história que provocou guerras, alegrias, mortes que não são perdoadas com juras de culpa eterna. Li, era uma história como outra qualquer, tirada de uma mente qualquer, alguém sentou um dia e escreveu, saltou da cama e escreveu, falou com sua mulher e escreveu, nada além. Como uma pessoa pode interpretar palavras escritas por outro como direção certa? A cada movimento um pensamento, equacionado de tamanha agressão a tranquilidade, nasce sem saber aonde ir. Somos responsáveis por ele. Ele é como um filho que pergunta. O que revelarei a meu filho pode mudar sua vida inteira. Um som curto, grave ou agudo, tem o poder de destruição nuclear capaz de criar um vórtice infinito. Um qualquer escreve histórias, o mundo está repleto de escritores, contadores de história, para onde foi o silêncio?

terça-feira, 30 de setembro de 2008

É Tempo de Entorpecentes

Parei o carro no sinal e um menino cheirando cola me ofereceu um pouco, uma atitude inusitada pois nunca haviam me oferecido, aliás, sempre que alguém chegou perto com uma garrafa pet cheia de cola foi para tentar me tirar algo. Me senti compelido a experimentar o que estava sendo oferecido por meu companheiro carioca. Ao abrir o sinal e meus olhos, notei que estava causando um pequeno engarrafamento, por sorte me encontrava em frente ao Cesar Park onde um grupo de prostitutas me socorreu. Elas cobravam muito caro por uma mãosinha, beijo nem pensar, tinha areia no nariz delas. Decidi seguir a pé e caminhando pelo posto 9 me ofereceram um baseado. Não era dos melhores, mas como era a hora do pôr-do-sol e um monte de pseudocelebridades se acotovelavam para ver quem batia palma mais alto, decidi que era hora de jogar areia nos pombos. Passei duas horas fazendo isto, uma menina toda tatuada muito bonita e simpática veio falar comigo, ela falava sem parar enquanto eu escutava seguidamente suas desconexões mentais se transformarem em conexões, parecia um milagre alguns sentidos que eu dei a história. Papo vêm papo vai, começaram a emitir um som estranho como se fossem indios em uma espécie de celular primitivo, decidi ir embora coma chegada dos quadrupedes mal encarados. Nesta hora a garota me deu um quadradinho de papel, falou que eu devia mastigar ele um tempo. Eu que não tinha nada para fazer, a cola ja estava me dando uma parónia terrivel, decidi tomar o quadradinho. Pedalamos pela ciclovia inteira. Foi muito bom, atropelei quatro alemãs, dois idosos americanos e ainda de quebra vi um assalto. Assistir a um assalto muito doido é uma outra coisa, para quem nunca fez eu recomendo. Dá uma emoção que vêm formigando lá de dentro e uma vontade de gritar, me imaginei gritando, chamando a policia, indo lá rendendo o bandido, salvando a bolsa da gringa velha, mas tudo me parecia resolvido na minha cabeça então resolvi ficar beijando a garota que até agora não tinha nome. Resolvemos batizar ela, Sand. Foi o que conseguimos pensar pois estávamos na areia até aquela hora. Sendo muito tarde resolvemos passar na Guanabara, Baía da Guanabara para os que não conhecem. Entrei no banheiro e lá conheci um outro lado de todos os meus amigos, eles sorriam e falam demais. O assunto era sempre o predileto de cada um, eles. Saí do banheiro com uma necessidade imensa de falar do meu assunto predileto, eu. Falei de mim, do meu eu, dos meus trabalhos, meus ex-amores, meu eu interior e de como cheguei ali. Sand também falou dela, do ela interior, do eu que estava perdido e de toda sua infância até levar aquele momento. Ja era dia de novo e tomando chopp resolvemos andar para ver o sol nascer no arpoador. Andamos muito rápido, vários velhinhos passavam na contra mão levantando os braços ou fazendo polichinelo, eu nem sabia que polichinelo ainda existia. Chegamos ao Arpoador e encontramos uma família de hippies saída lá do Maranhão, nos deram hax, me deu um apressão baixa no primeiro tapa e relaxamento nos seguintes. Decidi escalar o arpoador. Foi muito tranquilo, mas a decida meio perigosa. Andei de volta até ver meu carro estacionado, um guarda estava parado bem em frente. Perguntei se a maquina da patrulha aceitava visa, ele respondeu que ainda não, mas que no posto aceitava. Eu não sabia porque estava pagando mas ele sabia porque estava recebendo. Segui andando, me lembrei de Sand, ela devia estar com os hippies. Olhei para trás, olhei para frente, tomei uma bala meio azeda que a sand havia me dado, comecei a encontrar sentido na vida e resolvi todos os meus problemas. Fiquei abismado ao notar como eram de fácil resolução. Estiquei o braço, peguei um taxi e segui para o Cesar Park.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Edna

Independente de qualquer coisa, Edna sempre teria a casa para arrumar. Pensava assim todos os dias de manhã quando acordava arrependida. Olhava a sua volta e pensava que o espelho estava errado. Edna colocava primeiro o pé esquerdo no chão, era algo incontrolável, não conseguia se conter e por isso sofria em silêncio. Era dramática. Sabia disso e se orgulhava de sua culpa. Pela noite podia ouvir música vinda do prédio de trás, não gostava do que ouvia, não entendia as palavras. Ficava extasiada com a vida noturna, imaginava pessoas sorrindo, a cidade iluminada e seus carros de luxo. Edna estava com a casa toda arrumada, olhava do canto da sala, em pé no canto. Silêncio rompido, dava um gostinho de sereno bem no meio da sala. O tom de bege fazia Edna se sentir mais antiga do que era. Estava pronta para sair, sempre esteve, não importava a hora do dia. Dormia com batom. Seus olhos brilhavam naquela noite, queria sair de qualquer jeito e hoje estava se prometendo que iria. Fazia quanto tempo desde a última vez, ela se perguntava e quanto mais procurava mais escuro se tornava o bege da sala. O frio da cozinha vinha da luz. Silêncio. Edna olha para o telefone pendurado, seu fio longo, enroscado, está um pouco sujo mas combina com o azulejo azul. Olhava as linhas brancas torcendo para um toque assustá-la e nada acontecia então passava seus olhos violentamente pela parede, suas mãos apareciam no seu campo de visão e a cozinha estava se tornando mais escura agora, apagou a luz e saiu. Apagou a luz da sala e o corredor um pouco perigoso era o único caminho. Um dia caiu por causa daquele velho tapete, o piso era de tábua corrida encerado dia sim, dia não. Jamais retiraria o tapete dali embora pensasse todos os dias, era como o pé, um segredo só seu que a fazia rir de suas próprias manias, como se fossem elas que a faziam ser o que era. Apagou a luz do corredor e chegou ao quarto. A cama era florida, bordada com babado, quente antes mesmo de se deitar. Edna olhou uma última vez para fora do quarto com esperança e olhou para o silêncio. Dentro do quarto havia um calendário. Edna olhou para ele, já deitada, e viu o que já sabia, sexta-feira.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A Dream That Walks

A noite sabemos o que acontece durante o dia, é nessa hora cheia de sombras que voam as idéias feitas noutra hora. É estranho saber que existe hora de chegada, nem sempre é assim. Acontece que a hora nasce cada dia em uma hora diferente. E o que queremos é relacionado à algum sentimento recente de nosso corpo. Seja mental ou físico.
Sem mais nem menos me encontro em um bar cheio de amigos, ou pessoas consideradas conhecidas e enquanto olhava a temperatura ia caindo, e alguma risada diferente começava a nascer. O som estava começando a dança o corpo sozinho mandava de dentro para fora. o quê? Não sei agora, mas na hora sabia. Somente uma cor em todo o som. Me viro e a luz se prolonga agora.
É um momento de decisão, decisões importantes que te levarão a não se mexer. Preciso decidir pelos próximos dois intermináveis segundos.
Ando com um chão diferente a minha frente, na maior parte é preto mas com seus canyons, baixos e assustadores. Sons me fazem olhar para o alto e em pernas sem toque me apoio para subir. Sem as mãos cumprimento passando pelas sombra colorida de suas blusas borradas de limão.
Som próximo, mãos te encontram e gestos te provam que a vida existe. Cigarros estão sem graça de serem o que são. Batom vermelho, branco de roupa, contorcido o tronco que se mexe e dança. Mãos com dedos pintados. Cores e cheiros.
Som do engraçado que enlaça te laça.
E no mesmo lugar de onde não saí, estou.

sábado, 12 de julho de 2008

Ao som de "The End" by The Doors




ACUADO PELA ESCOLHA (fala antes de ser crucificado) - Querem saber? Posso falar uma coisa numa boa pra vocês que estão falando que eu não ligo pra nada? Vocês não servem pra nada, vocês que são casados a essas mulheres que não gostam, que perseguem seus ideais pré-concebidos antes mesmo de saberem que são, de que servem suas vidas? Conversar sobre o que vão comprar, o que querem comprar ou aonde vão gastar, toda essa conversa em um puteiro chamado Vantagem, com a mão na frente de um lado do rosto, escondendo o outro, um sorriso e uma ironia, a vantagem sobre o diz-se amigo. Quando foi a última vez que se escutaram de verdade, não sabes o som da voz do outro, será nojo? Se transformaram em um personagem cego, em guerra santa contra os que tentam não ter personagens, toda sua vida de mentiras é um palácio de cristal, rachaduras compõe o vitral, no altar um espelho regado a sal. Seus desejos sobre as mulheres de seus amigos, refletem ao fechar de olhos, ao lado do suposto amor, palavra desconhecida almejada e falada com afinco e certeza, nunca a incerteza, eterno é presente porém longe deste presente, eterno é o passado em retorno no espelho da suposta escolha definitiva. De putas são chamadas as mais livres as que não são a que te acompanham, pois odeiam todos que não escolhem o mesmo todos que não são vocês, todos que decidem algum outro caminho, errado, o erro, o que há de sujo no mundo, que o fazem bater de carro por inveja, os que o fazem cair do alto -É tudo culpa deles, são um bando de filhas da puta. Não é assim que os chama? E todo esse seu sustentar de bordéis, putas existem pois exitem os que as comem assim como dizem que drogas existem por causa dos que as consomem, toda sua vida de comer prostitutas, toda sua sobriedade falsa que ao contato com uma única gota de alcool, a droga lícita, se revela em erupção excremental de idéias anais. A puta aceita, sua mulher esta, a que não tem palavras, a que não contrária, só contrária em virtude de manter o conquistado, e mais sangue de Cristo goela abaixo revela todo o escondido sórdido, dores de cabeça lembranças de violência doméstica, acidentes de carro, tapas na cara, mãos de pedra, sexo de leões marinhos, quem viu que se foda, é normal, papai fazia, mamãe sempre aceitou, por que ela não há de aceitar? Quem sofre e vai pagar o pato? São os que trabalham para você direto ou indiretamente, descontar em vendedores é vitória, poder sobre garçons é masturbação, porteiros são jegues urbanos, inferiores. E para as mulheres que estão ai do lado, Fuck You Too! Parem de falar dos outros, das outras especialmente, um segundo e prestem atenção, vão ler um livro ao invés de aceitar qualquer asneira televisiva, parem de contar vantagem umas sobre as outras, seus empregos mediocres que só servem como base de sutentação das idéias que tiveram com miseros quatorze anos, desliguem o pensamento e se observem de fora, parem um segundo de falar parem de falar das mulheres que escolhem ter prazer, que optam por falar, gozam de verdade, que deixam de sonhar e vivem a vida, ao invés de sofrer uma prisão construída pelo pensar, parem parem deixem-me falar eu to ficando sem ar sufocado, não consigo respirar, o som ta muito alto, abaixa esse som por favor deixa eu falar não adianta gritar eu não to gritando, para não é isso que eu to falando, não tem nada a ver, não tem nada disso, não tem nada haver com isso você ta delirando, eu to delirando? você ta delirando... para para! para chegaaa aaa aumentaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa....